Ensaio

Jogos como literatura: o argumento que ninguém quer fazer direito

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A discussão sobre jogos como arte sempre esbarra no mesmo problema: as pessoas comparam com o meio errado.

Quando alguém quer defender que jogos são arte, a comparação automática é com cinema. Mas cinema e jogos têm relações completamente diferentes com o tempo, com a agência do espectador, com a narrativa.

A comparação mais honesta seria com literatura — especificamente com o romance.

Assim como o romance, jogos exigem um investimento de tempo que outros meios não pedem. Você não 'assiste' um jogo como assiste um filme. Você habita ele, como habita um livro. A experiência se estende por dias, semanas, às vezes meses.

E assim como no romance, o que acontece dentro de você durante esse tempo é tão importante quanto o que acontece na tela.

A diferença — e é uma diferença enorme — é a agência. Em um livro, você segue. Em um jogo, você age. E essa ação muda a relação com a narrativa de uma forma que ainda estamos aprendendo a entender.