Toda vez que uma série termina mal, a internet entra em colapso. Fóruns explodem, petições são criadas, teorias de que 'o roteirista estava bêbado' se multiplicam. Mas raramente a conversa vai fundo no que realmente acontece quando um final decepciona.
Não é sobre o final em si. É sobre o que a gente projeta nele durante anos de acompanhamento.
Quando você acompanha uma série por cinco, seis, oito temporadas, você não está só assistindo. Você está construindo uma relação. Desenvolvendo teorias. Investindo emocionalmente em personagens que, tecnicamente, são pixels numa tela.
E aí o final chega. E ele nunca vai ser o que você imaginou — porque o que você imaginou foi construído por você, com os seus valores, as suas expectativas, a sua visão de como aquela história deveria se resolver.
O roteirista tem a versão dele. Você tem a sua. E quando as duas não coincidem, a decepção é real — mas a culpa raramente é só do roteirista.
Isso não é uma defesa de finais ruins. Existem finais objetivamente mal executados, com inconsistências de personagem, arcos abandonados, resoluções apressadas. Esses merecem crítica.
Mas existe uma diferença entre 'esse final foi mal escrito' e 'esse final não foi o que eu queria'. E confundir os dois é o que gera a maior parte do barulho na internet toda vez que uma série termina.